HISTÓRIA COMPLETA

A CASA TRETER | HISTÓRIA TRETER

A Treter é uma empresa familiar que há mais de 60 anos atua no ramo de estofaria. Localizada na cidade de Santa Rosa no Rio Grande do Sul, é referência regional na customização de móveis estofados, com destaque para sofás e poltronas. Atua também no setor de lonas flexíveis, sendo fornecedora exclusiva para duas grandes montadoras de máquinas agrícolas localizadas na região.

Em 1952 foi criada a Estofaria König e Treter, resultado de uma sociedade entre os cunhados Arnold König e Otto Ricardo Treter. Já na abertura da empresa, Rudi Treter, filho de Otto, iniciou suas atividades como aprendiz de estofador. Com a morte de Arnold em 1967, tornaram-se sócios os filhos de Otto, Rudi e Sylve. Mas apenas em 1971 que a empresa passa a ser Estofaria Treter Ltda.

Foto antiga da estofaria Konig Treter na fundação

Fundada a Estofaria König e Treter.

Durante a década de 1970, com a empresa descapitalizada e com necessidades de inovar, admitiu-se mais um sócio, não pertencente à família, que permaneceu na sociedade durante 16 anos, de 1972 a 1987. Foi nesse período que timidamente a Treter expandiu seu portfólio de serviços pela primeira vez e começou a comercializar tecidos para revestimentos e também de outros materiais para estofadores. Em 1982 houve o falecimento de Otto Treter, sendo que sua parte foi dividida entre os dois filhos que já compunham o quadro societário.

Foto da Estofaria Treter nos anos 1970

A empresa passa a ser denominada como Estofaria Treter Ltda, expandindo seu portfólio de serviços com a comercialização de tecidos para revestimentos e outros materiais para estofadores.

Por muito tempo, a Treter limitou-se a atuar no ramo de estofaria. Adquiriu expertise no setor e solidificou sua marca no mercado regional como tal. Inicialmente as atividades de estofaria eram voltadas à confecção de colchões de crina, estofados residenciais e automotivos. Posteriormente passou a comercializar tecidos, espumas, fibras e feltros que utilizava no revestimento de seus produtos, bem como outros itens que além de utilizar em sua produção, revendia para outros estofadores e público em geral.

A partir de 1987, quando a sociedade passou a ser composta pelos irmãos Treter, Ilsa Treter, esposa de Rudi, assume os setores administrativo e de vendas da empresa e posteriormente passa a ser sócia juntamente com o marido e a cunhada. Nesse mesmo período a Treter encontrava-se em grave crise financeira, sem crédito e descapitalizada, reflexo de uma gestão anterior.

Os próximos anos, até início de 1990, a prioridade era o pagamento das dívidas, para que a empresa pudesse manter-se no mercado. Foi também nesse período que ocorreu a segunda expansão nos serviços oferecidos e passou a trabalhar com lonas flexíveis, fornecendo peças a uma montadora agrícola da cidade. Porém, apenas em 1999 investiu-se na industrialização do setor de lonas, com a aquisição da primeira máquina de solda eletrônica.

Foto Estofaria Treter no final dos anos 1990

A Treter passa trabalhar com lonas flexíveis, fornecendo peças a uma montadora agrícola da cidade.

Ainda em 1999, talvez a mudança mais significativa no que tange à gestão, pois foi nesse ano que Suzane Treter, filha do casal e que já trabalhava na empresa desde 1994, começa a assumir um novo papel dentro da organização. Iniciaram o processo de revitalização da marca, mudanças internas de layout e infra-estrutura, se deu início ao processo de informatização da Treter, tudo isso graças à sua inclusão na equipe de gestão da empresa. Já em 2002, Suzane passa a ser sócia, pois adquiriu a fatia de sua tia na sociedade.

Estudante de administração e conhecedora das tendências impostas pelo mercado, Suzane primava pela modernização, renovação e inovação. Porém, entrava em conflito com o pai, que possuía um pensamento conservador e considerava tais mudanças desnecessárias.

Em 2001, outra mudança significativa para a gestão, pois é contratado um consultor externo para trabalhar na área financeira com o intuito de informatizar a gestão financeira e principalmente, fornecer dados e informações para a tomada de decisão. Foi o início do processo de implantação da gestão por indicadores na empresa.

A Treter em 2001 atuava na comercialização de materiais para revestimentos e insumos para estofadores; oferecia serviços customizados de estofaria e fornecia peças em lonas para máquinas agrícolas. Alinhado a isso, profissionalizou sua gestão através da formação acadêmica da terceira geração da família detentora do negócio; informatizou e implantou um sistema de controle para seus processos; e buscou especialista, através da consultoria, para modernizar também seu formato de gestão. Este consultor trabalhou na empresa até o ano de 2003.

Em 2004 uma nova consultoria foi contratada, porém desta vez para implantar ferramentas da qualidade, em especial o programa 5S. Assim, o setor de produção também estava sendo revitalizado e reestruturado, acompanhando a evolução de que a empresa sofrera nos últimos anos.

Em 2005 houve o afastamento de Ilsa e Suzane assumiu integralmente a gestão da empresa. Apesar de já ter um portfólio de serviços diversificados, a empresa sofreu neste ano com a grave crise que assolou o setor agrícola. Evidenciou-se a dependência que a empresa tinha no setor de lonas e o desligamento de muitos colaboradores foi inevitável. A fragilidade do setor agrícola refletiu diretamente de forma negativa na Treter.

Por isso, em 2006, houve a contratação de um novo consultor para área financeira e também uma consultora para área de gestão de pessoas, fortalecendo o modelo de gestão por indicadores e iniciando o processo de inserção do modelo de gestão por competências.

O ano de 2007 foi outro ano com muita significância para o modelo de gestão adotado, pois foi nesse ano que se elaborou uma proposta de um Programa de Participação nos Resultados (PPR) e também um modelo de metas com bonificações. Também neste ano, investiu-se novamente o setor de lonas com a aquisição da segunda máquina de solda eletrônica e abriram-se negociações com outra empresa multinacional de máquinas agrícolas da região. Porém, devido a problemas de saúde, o Sr. Rudi Treter teve de afastar-se da empresa.

As negociações com esta outra empresa de máquinas agrícolas só avançaram no ano de 2009, porém sem grande impacto na produção. Em 2010, com a previsão de alta do setor agrícola e grandes pedidos confirmados, houve novo investimento no setor de lonas, duplicando a capacidade produtiva e alterando-se a estrutura organizacional da empresa com a divisão do setor de produção. Se por um lado era importante investir na modernização do setor de lonas e aproveitar o momento do mercado aquecido, por outro lado era necessário manter a produção de estofados sob encomenda, as reformas e todos os serviços ligados à estofaria juntamente com o setor de vendas da empresa, devido à fragilidade do setor agrícola. A produção foi dividida em produção seriada, com as peças em lonas para as colheitadeiras e produção não seriada, com a estofaria.

Foto Estofaria Treter nos anos 2000

Em 2010, houve novo investimento no setor de lonas e a produção se dividiu em seriada e não seriada.

Mas não apenas o setor de produção sofreu mudanças. Houve também uma mudança significativa na gestão da empresa. Suzane, juntamente com a consultoria, deu início ao processo de composição de uma equipe para fazer a gestão do negócio. Dessa forma, a primeira tentativa na montagem dessa equipe, elevou-se alguns cargos antes operacionais a níveis estratégicos e assim a primeira equipe de Coordenadores surgia na Treter.

Um dos grandes propósitos para essa mudança foi o fato da mudança de Suzane para uma cidade vizinha e a pretensão de vir até a empresa apenas duas vezes por semana. Para que isso se tornasse realidade implantou-se um sistema de controle mais forte, mais abrangente. Incrementou-se o número de indicadores, fortalecendo assim o modelo de gestão por indicadores.

Porém, o que iniciou de forma correta e promissora não alcançou os resultados esperados e uma revisão na estrutura organizacional se mostrou necessária. Com isso, reviu-se a questão das coordenações mantendo-se aqueles que possuíam o perfil adequado para o cargo e os demais retornaram às atividades antes exercidas.

Identificado que a equipe de coordenadores ainda carecia de pessoas, no ano de 2012 outra mudança impactante ocorreu: a primeira contratação de um colaborador com ensino superior, para o cargo de Coordenador de Marketing. Isso demonstrou que, além do crescimento que a empresa atingiu nos últimos dois anos, havia a necessidade de profissionalizar também a equipe de gestão. Além disso, o mercado agrícola permaneceu aquecido e houve a necessidade de ampliar novamente o setor de produção de lonas. Desta vez, pela primeira vez desde sua fundação, foi necessário alugar um novo prédio, instalar o setor de produção e abrir a primeira filial da empresa.

Esta nova posição realizou trabalhos e mudanças importantes logo após sua entrada. No entanto, ainda em 2012, houve a saída do profissional contratado para a área de marketing, sendo que a reposição foi feita, porém, não com as mesmas funções e atribuições. O cargo passou a chamar-se Coordenador de Produção e Mercado e modificou a estrutura organizacional da empresa, que passou a ser constituída da seguinte forma: Direção, composta pela proprietária; Coordenação, com dois coordenadores; Encarregados, com cinco encarregados; e as equipes: Produção Seriada, Produção de Lonas; Produção Residencial; Vendas e Suprimentos.

O ano de 2013 é com certeza outro marco na história da Treter. Pela primeira vez o planejamento estratégico contemplou os cinco próximos anos. O mercado agrícola aquecido permitiu um faturamento recorde neste ano. Isso fez com que, além de possibilitar a diversificação na oferta de serviços e produtos, exigiu com que isso ocorresse, devido à sua instabilidade. Para evitar que se repetisse o ano de 2005, ocorreu a terceira expansão no portfólio de serviços ofertados pela Treter e um outro setor foi implementado, o setor de toldos, abrindo assim uma segunda filial.

Além disso, a expansão e diversificação do portfólio é uma necessidade contínua, para que a empresa não fique dependente do setor de lonas agrícolas e da fragilidade e instabilidade deste mercado. Foi durante o ano de 2013 que se planejaram outras duas soluções para equalizar esta dependência: a primeira delas, indo de encontro à razão de ser da empresa e fortalecendo sua essência, é o lançamento de marca própria de estofados. Tratam-se de modelos padronizados mas com o diferencial da customização por projeto, atendendo às necessidades e particularidades de cada cliente. A segunda pode ser considerada a quarta expansão do portfólio de serviços ofertados pela Treter, que no ano de 2014 inaugurou uma loja de móveis planejados e temporariamente uma terceira filial.

O setor de toldos esteve durante o ano de 2013 em fase pré-operacional e em 2014 em fase de prospecção, captação de mercado e afirmação. Já a marca esteve em processo de formulação durante o ano de 2013, em fase de prototipagem em 2014, quando houve a homologação das duas primeiras coleções, os primeiros produtos foram testados, as campanhas publicitárias tiveram início e o lançamento oficial da marca e das coleções ocorrerá em 2015.

Ainda em 2014, houve nova mudança na estrutura organizacional com a contratação de uma profissional para trabalhar diretamente em gestão de pessoas, fortalecendo assim o desenvolvimento do modelo de gestão por competências. O modelo de gestão por indicadores já é bastante difundido e bem trabalhado, principalmente com os encarregados que realizam a gestão de seus indicadores junto às equipes. Estes indicadores são alimentados diariamente, mantendo todos os colaboradores informados e alinhando-os no que tange às metas da empresa.

É um modelo de gestão simples, muito bem enraizado e de conhecimento geral. Os indicadores estão diretamente relacionados às metas bonificadas e estas fazem parte do PPR. Além disso, são revisadas semestralmente e por isso estão em constante aperfeiçoamento. Este modelo tem dado certo e conseguiu manter o controle e também o foco durante todas as mudanças já ocorridas. É um modelo muito além de satisfatório, pois excede as expectativas da própria gestora.

Em 2019, a reforma do atual prédio da sede da empresa foi inaugurada com um espaço completamente novo. Considerada fundamental para a empresa, essa nova fase permitiu concentrar as equipes, consolidar e fortalecer os modelos de gestão. O prédio novo abriga as áreas de produção e também as lojas de estofados e móveis planejados da Italínea, em um ambiente muito melhor organizado e com uma melhor experiência de compra.

Com estas mudanças e pela forma com que foram e continuam sendo planejados e executados, a Treter espera continuar alinhada ao seu objetivo “Crescer unindo a cultura artesã e a tecnologia industrial no fornecimento de soluções e produtos para revestimentos” mas não somente crescer em números e estrutura, mas crescer e de forma contínua, aperfeiçoar seu modelo de gestão.

Foto da loja nova inaugurada em 2019

Em 2019, a reforma do prédio da empresa foi inaugurada com um espaço completamente novo.